Alguns encontros são o eco de promessas feitas em outras vidas
Eles não precisavam dizer nada.
O silêncio entre eles era cheio de histórias.
O tempo havia passado, é verdade — mas algo, lá no fundo, permanecera inteiro.
O amor verdadeiro tem dessas coisas: ele sabe esperar.
Não fica batendo à porta, não cobra respostas, não força destino.
Apenas segue respirando em algum canto da alma, até que o tempo se torne maduro o bastante para permitir o reencontro.
Há quem chame isso de sorte, mas talvez seja apenas o jeito calmo da vida costurar o que é real.
Porque o que é verdadeiro não se perde, só muda de forma até ser possível de novo.
Às vezes volta em olhares mais serenos, em gestos que aprenderam a ser gentis.
Volta sem a pressa da juventude, sem o medo da ausência, sem a necessidade de provar nada.
Quando o amor retorna, ele vem diferente — vem inteiro.
Não precisa mais prometer eternidade, porque aprendeu a valorizar o agora.
Não fala tanto, mas está.
E estar, nesse caso, é tudo.
Talvez o verdadeiro amor seja isso:
ficar de costas para o mundo, e ainda assim sentir que se está indo na direção certa.
Lado a lado.
Silenciosamente juntos.
Mary
My Perception of Love - Benjamin Amaru
