O amor simples
O amor simples vem descalço,
com o tempo nas mãos,
e se assenta no olhar de quem já aprendeu a ficar.
Não pede promessas — apenas presença.
Não exige certezas,
porque confia na verdade do instante.
Entre um gesto e outro, ele se revela:
no toque que não cobra,
na palavra que não pesa,
na calma de quem entende
que o amor — é abrigo.
Hoje, vivo um tempo em que, se abro a porta,
é para acolher — não para distrair a solidão.
Se estendo o braço, é porque quero viver junto,
não apenas preencher vazios.
Dou e sou abrigo.
Mas só fico onde há reciprocidade de alma.
Se não for assim… é silêncio. É adeus.
O amor simples não compete,
não convence,
não se testa.
Ele apenas respira.
É o intervalo entre um riso e um suspiro,
o que permanece quando o mundo grita demais.
Mary
