Uma canção

nas profundezas de minha alma há uma canção
que nenhuma letra cobrirá;
uma canção que vive numa partícula do meu
coração que não correrá como a tinta sobre o papel.
ela rodeia meus sentimentos como um manto
leve, e não correrá como a umidade sobre minha língua.
assim como, até com um suspiro eu a exalarei.
enquanto por ela do próprio ar tenho receio.
para quem a cantarei se não conheço outra
morada que minh'alma?
eu tenho medo por ela da aspereza dos ouvidos
se tívesseis olhado dentro de meus olhos,
teríeis visto a imagem de seu retrato;
se tívesseis tocado as pontas de meus
dedos, teríeis sentido suas vibrações.
os trabalhos da minha mão a revelam,
da mesma forma que o lago reflete as
estrelas brilhantes.
minhas lágrimas a descobrem, como as
gotas de orvalho proclamam os segredos
da rosa enquanto o calor as dispersa.
uma canção enviada do silêncio, engolfada
pelo clamor e entoada pelo clamor.
uma canção escondida pelo despertar do sono.
oh, gente, é a canção do amor
que isaac recitará?
não, que david cantará?
seu aroma é mais doce que o do jasmim;
que garganta a escravizará?
ela é mais preciosa que o segredo da virgem;
que instrumento de cordas a cantará?
quem unirá o rugido poderoso do mar,
ao trinado do rouxinol?
e o suspiro de uma criança à tempestade uivante?
que humano cantará a canção dos deuses?




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