- o tom da nossa vida.
Em que tom a
queremos viver?(Não perguntei como somos condenados a viver).
Em meios-tons melancólicos, em tons mais
claros, com pressa e superficialidade, ou alternando alegria e prazer com
momentos profundos e reflexivos.
Apenas correndo pela superfície ou de vez
em quando mergulhando em águas profundas.
Distraídos pelo barulho em torno ou
escutando as vozes nas pausas e nos silêncios - a nossa voz, a voz do outro.
Nosso tom será o de suspeita e desconfiança
ou serão varandas abrindo para a paisagem além de qualquer limite?
Parte disso depende de nós.
No instrumento de nossa orquestração somos
- junto com fatalidades, genética e acaso - os afinadores e os artistas. Somos,
antes disso, construtores de nosso instrumento. O que torna a lida mais
difícil, porém muito mais instigante.
Lya Luft - Perdas & Ganhos - Trecho
Imagem Manuel Diumenjó

