Eu, mulher dormente,


de olhos fechados
estou vendo essas paredes fluídas que caminham
comigo mesma, na cristalina arquitetura:
muralha de sucessivos patamares à luz de nenhum sol.

Espelhos de  quartzo verde em que me reconheço admirada,
de olhos abertos desde sempre, para sempre,
desenhando-me involuntária, buscando-me exata,
fugindo-me nesta caligrafia que não alcanço.

Cecília Meireles

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