E
m
c
a
d
a
t
e
n
t
a
t
i
v
a,
ele me pressente e me rechaça, ele me empurra para o fundo de si para que eu não o desmascare. E me rouba a voz, e me leva o gesto, fazendo com que me cale e imobilize, entre as pontas duras das quais ele se desvia, enganoso, porco bailarino capaz de todas as baixezas pelo papel principal. É sem testemunhas que eu o desmascaro todas as manhãs, enquanto escuto correr a água com que supõe lavar toda a sua sujeira. Mas te investigo, te busco, te suspeito cúmplice de mim, não dele, porque a tua ajuda é a única que posso esperar, então insisto sempre se me entendes, e volto a perguntar, então, me entendes, assim, me entendes, tu?
Caio Fernando Abreu

