Cartas não enviadas #1 —


Há palavras que nunca chegam a você,
mas que ardem em silêncio dentro de mim.
São cartas que minha alma escreve sem esperar resposta —
para aliviar o peso de sentir,
para transformar sua ausência em presença que eu ainda posso tocar. 

Hoje resolvi escrever para você,
não para chamar você de volta,
mas para agradecer pelo que permanece. 

Descobri que a sua ausência tem uma presença que não se apaga, que há amores que não partem, apenas se reinventam no silêncio do tempo.

Você se tornou brisa suave, às vezes memória que corta até o osso, às vezes lição dura, que o coração aprendeu a carregar.

E eu?
Eu me tornei casa —
lugar onde me ouço antes de buscar um eco, onde aprendi a me acolher enquanto esperava por você.

Esta é uma das cartas que escrevi quando te esperava, sem saber que, entre uma palavra e outra, o tempo te traria de volta, num silêncio que hoje fala diferente — com uma voz que só o amor aprende a reconhecer.

Mary



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