O amor
Não me roube o teu olhar,
nem o silêncio que nele habita.
Não subtraia o que somos —
nem os beijos, nem o riso,
nem o abrigo que construímos com calma.
Não me peça constância,
mas verdade.
Deixa comigo apenas o que é teu por escolha,
não por costume.
Recebo cada verso que tua pele me sussurra sem palavras —
há gestos teus que acalmam o tempo
e suavizam a distância.
Teus toques chegam como confidências delicadas.
E, mesmo na tua ausência,
relembro o calor e cada detalhe
do lugar onde fomos abrigo…
tempestade e calmaria.
Aprendo a aceitar os intervalos
e confiar na força da lembrança.
Prefiro o amor que é livre,
mas que escolhe ficar.
Que se reinventa no espaço vazio
e se faz inteiro
quando nos permitimos ser refúgio —
corpo e verso um do outro.
Quando tua voz me encontra, descubro:
amar é horizonte.
É aceitar a imensidão do que somos,
navegar sem medo no desejo de estar ao lado,
construir liberdade dentro do abraço.
Mary
