Quando o amor só sabe ser quase
Ele me prende no quase:
um afeto que não assume forma,
um sentimento que não aprende a ficar.
É estranho amar alguém que diz sim nas palavras,mas não sustenta o corpo no mesmo lugar.
Que promete com o olhar,
e despede no gesto.
Há quem confunda presença com aparição.
Quem volta sempre, mas nunca chega.
Quem cuida para não perder,
mas teme o suficiente para não ser encontrado.
Com ele, tudo era metade:
metade abraço, metade silêncio,
metade ternura, metade despedida.
A vida suspensa entre “agora não” e “talvez um dia”.
E no começo, eu insisti.
Acreditei nos sinais,
li promessas onde só existia medo, segurei as migalhas como se fossem o suficiente para alimentar uma esperança inteira.
Aprendi que afeto que não se decide cansa a alma, desalinha o peito, nos faz esquecer que merecemos o simples:
a mão que segura e não solta,
o olhar que não desvia,
o corpo que permanece mesmo no caos.
A gente também cresce nas partidas.
Mas hoje, se um amor não sabe ficar, não tento convencer.
Não imploro por metade.
Não sussurro onde não há escuta.
É simples:
quem me quer, chega inteiro.
E quem não sabe, eu deixo ir.
Porque amor de verdade não paralisa,
não adia,
não prende no quase.
Amor de verdade
acontece.
Mary
