Às vezes nos afastamos antes que alguém possa nos rejeitar
Existe um medo silencioso que mora em muitos de nós:
o medo de não sermos escolhidos.
Por isso, às vezes, fugimos antes do abraço,
desviamos o olhar quando o sentir começa a pedir espaço.
É curioso:
diante da possibilidade do amor,
alguns não correm em direção — correm para longe.
Não porque não sentem,
mas porque sentir demais assusta
quem aprendeu a sobreviver com pouco.
Há quem prefira desaparecer antes de ser deixado.
Há quem sabote o próprio coração
para não correr o risco de vê-lo partido.
E dói — não apenas perder alguém,
mas perceber que nunca demos a nós mesmos
a chance de descobrir o que seria.
Porque rejeição dói.
Mas calar o próprio sentir também.
Às vezes, a gente se retira tão cedo
que não chega a saber
se havia cuidado,
abrigo,
ou futuro.
Mas quando o coração amadurece,
ele aprende algo simples e profundo:
quem quer ficar, não foge.
Quem ama , não se esconde.
Quem sente verdade,
aceita o risco.
Amar é sempre vulnerável,
mas não precisa ser inimaginável.
Talvez seja hora de chegar perto
antes de imaginar a despedida.
De deixar ser possível
antes de supor o impossível.
De permitir o encontro
antes de se proteger dele.
No fim,
a vida não abraça quem se fecha—
abraça quem se permite.
E às vezes,
o que mais tememos
é justamente o que poderia curar.
Mary

